Teste VW Taos Highline 2026: mais barato para enfrentar chineses e rivais tradicionais

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Reestilizado, agora importado do México e com novo câmbio, o VW Taos 2026 tenta se reposicionar no disputado segmento de SUVs médios — e o preço virou uma das principais armas.

Enquanto o T-Cross domina as vendas e já se consolidou como o SUV mais vendido do Brasil, o Volkswagen Taossegue tentando encontrar seu espaço. Em 2025, o modelo emplacou pouco mais de 12,6 mil unidades, número distante dos cerca de 60 mil registrados por Jeep Compass e Toyota Corolla Cross no mesmo período.

Parte desse desempenho abaixo do esperado passa por fatores internos, como o baixo volume vindo da Argentina. Agora, a Volkswagen aposta em mudanças importantes para virar o jogo. O Taos 2026 chega reestilizado, passa a ser produzido no México e, surpreendentemente, ficou mais barato. A missão é clara: enfrentar não só os rivais tradicionais, mas também a nova onda de SUVs chineses eletrificados.

Testamos o Taos Highline 2026, versão topo de linha, que agora parte de R$ 209.990.

Produção no México ajuda no preço e no volume

A mudança da produção para o México é estratégica. Em vez de passar pela Argentina, o Taos agora chega pronto ao Brasil, encurtando a logística e reduzindo custos — algo que impacta diretamente no preço final e na disponibilidade nas concessionárias.

Na prática, o Brasil passa a receber praticamente o mesmo Taos vendido no mercado mexicano e exportado para os Estados Unidos. O visual renovado segue a identidade mais recente da VW, com novos faróis com tecnologia I.Q. Light, grade frontal em colmeia e uma faixa em LED ligando os faróis na versão Highline.

Na traseira, as lanternas também foram redesenhadas e passam a ser interligadas por um filete em LED na tampa, que inclui um logo iluminado — um detalhe que divide opiniões. As rodas de 19 polegadas seguem as mesmas do modelo anterior na versão Highline, enquanto a Comfortline recebeu novo desenho nas rodas de 18”.

Interior atualizado e mais refinado

Por dentro, a principal novidade é a nova moldura da central multimídia VW Play, agora com aparência flutuante. O ar-condicionado digital de duas zonas mantém os comandos sensíveis ao toque, já conhecidos do modelo.

O painel perdeu o porta-objetos superior, mas ganhou um visual mais limpo. As saídas de ar laterais também foram redesenhadas. O conjunto transmite a sensação de refinamento que se espera de um SUV médio, claramente acima do T-Cross.

Novo câmbio melhora o desempenho, mas eletrificação faz falta

Uma das principais evoluções do Taos veio ainda na linha 2025: o câmbio automático de oito marchas, que substitui a antiga caixa de seis. A transmissão é mais moderna, trabalha de forma mais suave e silenciosa e ajuda o modelo a atender às novas normas de emissões.

Sob o capô, nada de novidade. O Taos segue com o conhecido 1.4 turbo flex, de 150 cv e 25,5 kgfm, motor que continua eficiente, mas já começa a mostrar sinais de cansaço diante da concorrência eletrificada.

O novo câmbio melhora as acelerações e retomadas, mantendo rotações baixas em velocidades de cruzeiro — cerca de 2.000 rpm a 120 km/h. Ainda assim, o delay do acelerador e do turbo continua presente, especialmente no modo Eco. O desempenho é melhor que antes, mas o peso de quase 1.500 kg cobra seu preço nas arrancadas.

Nos testes, o Taos 2026 ficou mais rápido que o modelo antigo, mas perdeu eficiência no uso urbano, com o consumo caindo para 9,5 km/l, contra 10,3 km/l do modelo anterior. Na estrada, a média se manteve praticamente inalterada.

Em um mercado que agora valoriza torque imediato e eficiência elétrica, o Taos evoluiu, mas claramente sente a falta de algum nível de eletrificação.

Bom carro, mas ainda um pouco injustiçado

O Taos sempre foi um SUV correto — e talvez até injustiçado. O espaço interno é bom, o porta-malas de 498 litrosatende bem à proposta e o acabamento está no nível esperado da categoria. Fica devendo apenas itens que já viraram quase obrigação, como a abertura elétrica do porta-malas.

No banco traseiro, dois adultos viajam com conforto e contam com saídas de ar dedicadas. O terceiro ocupante sofre com o túnel central elevado, herança da plataforma MQB-A, que também garante suspensão traseira independente e uma dinâmica exemplar.

Na condução, o Taos mostra por que ainda carrega o DNA de um VW médio: direção mais direta, suspensão firme e comportamento previsível. É claramente mais refinado que o T-Cross, embora o motor 1.4 turbo já não acompanhe totalmente o nível do conjunto.

Preço reposiciona o Taos no jogo

Em 2024, o Taos Highline custava quase R$ 220 mil. Agora, parte de R$ 209.990, ou R$ 217.250 com teto solar panorâmico. Uma redução rara no mercado brasileiro e que mostra a tentativa clara da Volkswagen de recolocar o Taos na disputa.

Pelo valor, ele se torna uma alternativa interessante até dentro da própria marca, ficando próximo do T-Cross Highline, mas oferecendo mais espaço, conforto e refinamento.

Se isso será suficiente para enfrentar Compass, Corolla Cross, Renault Boreal e os cada vez mais presentes SUVs chineses eletrificados, só o mercado dirá. O Taos melhorou, ficou mais competitivo no preço, mas ainda deve a eletrificação que o consumidor passou a exigir.